PERFIL ZEZÉ DI CAMARGO

 

Mirosmar José de Camargo, o filho mais velho de seu Francisco e dona Helena, sempre encarnou muito bem o papel de primogênito: responsável, equilibrado e comedido com as palavras. Fora do palco, nunca altera o tom de voz. A mãe, dona Helena, explica de onde vem todo o respeito que os sete irmãos sentem por ele: "Eu digo para todos que Zezé lhes deu leite, pois ajudava muito a família." Orgulhosa, ela acha que se não fosse a coragem de seu filho mais velho ter ido para São Paulo tentar o sucesso, talvez hoje a dupla não estivesse onde está.


Casadíssimo com Zilú, Zezé gosta de brincar dizendo que mulher tem um único defeito: 'só se pode ter uma'. Já fez declarações afirmando que a tentação é um teste diário, mas não se cansa de dar provas da solidez de seu casamento. Quando a mulher e os filhos (Igor, Camilla e Wanessa) foram morar nos Estados Unidos, em meados de 99, por questão de segurança, dizia toda hora que estava sozinho, mas não solteiro.


Zezé é um vaidoso assumido.
Não pode ver um espelho e já está se admirando, sempre ajeitando o cabelo com as mãos.
Ao longo da carreira seu visual mudou bastante. O estilo das roupas, o corte de cabelo, tudo isso foi se adaptando às tendências de cada temporada. Mas a sua essência, e talvez o grande segredo de tamanho sucesso, nunca se alterou: cantar o amor de maneira simples, universal.

 

Raio X

 

Nome: Mirosmar José de Camargo
Nascimento: 17/08/62, Pirenópolis - Goiás
Signo: Leão.
Prato: "Fundo e cheio, de preferência de comida caseira".
Roupa: A que ficar bem em mim. Mas gosto de me vestir com as grifes Ricardo Almeida e Versace.
Perfume: Azzaro.
Xampu: Qualquer um. Às vezes uso até sabonete.
Relógio: É uma paixão.
Sapato: Vai de acordo com o tipo de roupa.
Carro: "Confortável. Já fui mais ligado à marca. . Foi uma fase de deslumbre. Hoje, não."
Viagem: Aspen, nos Estados Unidos. Gostaria de ir para a Grécia.
Livro: A Bíblia.
Filme: Um Sonho de Liberdade.
 

 

Crônica de Zezé di Camargo sobre seu pai

“Sempre admirei a sabedoria do velho Chico. Diante de sua humildade e a mínima formação escolar, meu pai arranjou uma forma irreverente para me ensinar a “ler as horas’, como ele dizia.

Eu deveria ter uns seis anos e já era apaixonado por relógio. Isso faz tempo... A gente morava num vilarejo, lá em Pirinópolis, e raramente ia para a cidade ver as lojinhas. Uma vez, eu vi uma foto de um relógio numa revista, na verdade numa página solta, que embrulhava uma compra que eu, menino de recados, fazia para a minha mãe, na mercearia. O que tinha dentro já nem lembro mais. Mas peguei aquela página e corri para mostrar ao meu pai:

“Pai, quero um presente deste! É muito bonito. Assim eu vou saber as horas?”

“Vai, meu filho. Mas o melhor é entender a força do tempo. Melhor que ler as horas, é saber lidar com o tempo”.

Foi aí, que entre tantas perguntas, reação típica nesta fase da vida, eu indaguei: “Mas quem inventou o relógio?”

Como é bem a linha de seu Chico, ele contou uma longa história. Hoje, eu sei que é o estilo dele, mas na época eu acreditava naqueles causos, mas isso só o tempo mostrou. Pois bem, assim nasceu a lição das horas, segundo meu pai: “Diz a lenda que para medir o tempo, os deuses criaram o relógio. Queriam algo redondo como a Terra. Mas havia aqueles que não concordavam com o formato em círculo e criaram a ampulheta. Dentro, os grãos de areia serviam de medidores.

Por que a areia, pai? – era mais uma pergunta. Qual criança nessa idade, ouve sem perguntar?

Por uma questão simbólica, foi a bela resposta do meu pai. E foi explicando: como o tempo, a areia escorre tão rápido das nossas mãos, voa... Voa como o tempo. Com o passar do tempo, o universo conspirou: a era dos deuses passou e a época dos ponteiros, indicando segundos, minutos e horas chegou. E nada melhor para contar o tempo do que os números. É uma questão matemática.

Já que o mundo é redondinho e dá voltas, o relógio, símbolo maior do tempo, tinha de ser assim: como a Terra.

E tudo voltou a ser como antes, como queriam os deuses. Pelo menos é o que diz a lenda.

Mas, pai, e o relógio, você vai comprar?

O tempo passou e eu só fui colocar um relógio no pulso um ano depois. Nem por isso, deixei de aprender as horas. E foi com mais uma atitude exemplar por parte de meu pai. Foi ele que fundou uma escola no Sítio Novo, onde morávamos, para que as crianças aprendessem a ler e a escrever. Assim, aprendemos também as horas.

Mas, quando subi no palco pela primeira vez, ganhei um relógio. Foi minha mãe que deu e meu pai fez questão que o presente viesse dela. Hoje, entendo a lição: é a mulher que gera a vida, exibe uma barriga redondinha como a Terra e tem o dom de mostrar que, para existir vida, precisa ter tempo. As horas, bem, ora as horas, são apenas detalhes neste mundo que dá tantas voltas. Como os ponteiros de relógio, claro.”